Greve geral marca <br>um novo tempo
Este foi um cartão vermelho à política de direita do Governo e à troika
No dia 14 de Novembro teve lugar «uma das maiores greves gerais realizadas em Portugal», que «marca um novo tempo, de esperança e confiança, de reafirmação das propostas da CGTP-IN e de acentuação do combate à política de direita, à política deste Governo e ao memorando da troika». Na última conferência de imprensa, pouco depois das 19 horas, Arménio Carlos e a Comissão Executiva da CGTP-IN reafirmaram a apreciação que tinham feito cerca das 13 horas e que o Secretário-geral da central já havia exprimido, durante a ronda que fez, por vários locais de trabalho, na noite de terça-feira e na madrugada e manhã do dia da greve geral.
Também na resolução, colocada à aprovação em muitas das 38 concentrações e manifestações realizadas dia 14 por todo o País, se afirmou que estava em curso «uma das mais importantes jornadas de luta, realizadas em Portugal depois do 25 de Abril», a qual «ficará para sempre inscrita na história da luta dos trabalhadores e do povo português, como uma poderosa resposta à brutal ofensiva que o Governo do PSD/Passos Coelho e do CDS/Paulo Portas tem vindo a desenvolver».
No dia 22, quinta-feira, o Conselho Nacional da CGTP-IN vai reunir-se, «para aprofundar o balanço desta extraordinária greve geral e discutir as medidas a adoptar, face aos desenvolvimentos políticos, económicos e sociais que se vierem a verificar», informou Arménio Carlos. Mas, desde já, a Comissão Executiva avançou com a convocação de uma concentração na AR, dia 27, cujos detalhes serão definidos oportunamente.
Naquele dia vai decorrer no Parlamento a votação final do Orçamento do Estado para 2013. Até lá, a Intersindical vai elaborar um estudo, a apontar um conjunto de inconstitucionalidades contidas na proposta de OE do Governo, e apresentá-lo ao Presidente da República – esperando que este agende em tempo útil a reunião que já lhe foi pedida.
«A luta, a partir de amanhã, vai continuar», assegurou Arménio Carlos, ao intervir perante os milhares de pessoas que, até pouco depois das 16 horas, encheram o largo frente ao Parlamento. Prometeu que «no dia 27, voltaremos aqui, e vamos dizer aos deputados que, mesmo que aprovem o Orçamento, nós vamos continuar a lutar contra ele», continuando a «contar, como hoje aconteceu, com os trabalhadores da Administração Pública, da saúde, das escolas, da justiça, das Finanças, dos consulados, da Segurança Social, com os trabalhadores das empresas de transportes, das comunicações e telecomunicações, da indústria, da metalurgia, das indústrias eléctricas, da cerâmica, da cortiça, da química, do vidro, dos têxteis, dos serviços financeiros, do comércio e escritórios, com os desempregados, com os jovens e os reformados, em suma, com todos».
Europa
No final da intervenção, em São Bento, Arménio Carlos dirigiu, sob fortes aplausos, «uma saudação do tamanho do mundo aos camaradas espanhóis, gregos, italianos, aos franceses e aos belgas, a todos os outros que, por essa Europa fora, estão a luta e a coincidir num mesmo dia nesta luta contra a austeridade, pelo crescimento económico, pelo emprego, por mudanças em cada um dos países e por uma Europa dos povos, da união, do trabalho, do progresso e da solidariedade social».